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A Feiro do Livro encontra-se de volta: Onde Lisboa abre as suas Páginas, Hotel Marquês de Pombal

A Feiro do Livro encontra-se de volta: Onde Lisboa abre as suas Páginas do Hotel Marquês de Pombal

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A Feiro do Livro encontra-se de volta: Onde Lisboa abre as suas Páginas

Maio 01 2026
Há qualquer coisa de ritualístico na forma como Lisboa se prepara para a Feira do Livro. As barracas de madeira verde-escuro reaparecem pontualmente no Parque Eduardo VII, as editoras dispõem os seus catálogos com a minúcia de quem monta uma exposição, e a cidade toda parece saber que chegou, enfim, a sua estação favorita.

Fundada em 1930, a Feira do Livro de Lisboa é uma das mais antigas do mundo e, com toda a certeza, uma das mais enraizadas no tecido afetivo de uma capital. Aqui não se vêm apenas livros, vêm-se gerações. Avós que trazem netos aos mesmos corredores onde os seus próprios pais os levaram. Estudantes que descobrem pela primeira vez um autor que os vai acompanhar para o resto da vida.

O recinto estende-se da Rotunda até ao fim do parque, numa sucessão de pavilhões que acolhe desde as maiores editoras nacionais às alfarrobeiras mais recônditas, dos clássicos imortais aos títulos acabados de sair do prelo. A oferta é tão vasta que muitos optam por regressar vários dias seguidos e a cidade aplaude essa devoção.

"A Feira não é apenas um mercado é um estado de espírito."

O programa cultural que envolve a Feira é, por si só, razão suficiente para uma visita. Debates literários, sessões de autógrafos, leituras em voz alta e colóquios temáticos transformam os jardins em palco permanente do pensamento. Autores portugueses e estrangeiros partilham aqui ideias que chegam, depois, a todas as livrarias do país.

A tradição do desconto, tipicamente dez por cento sobre o preço de capa, é outra das âncoras desta festa. Mas quem frequenta a Feira sabe que o valor real de cada visita não se mede em euros poupados, mas nos encontros inesperados: o livro que não se procurava e que, subitamente, parecia ter sido escrito só para nós.
O parque empresta à feira uma dimensão que poucas feiras literárias do mundo possuem: o verde generoso das árvores, a luz particular de Lisboa filtrada entre os ramos, o ruído surdo da cidade que cá fora continua enquanto aqui dentro o tempo parece abrandar.

A edição deste ano traz um programa de honra dedicado à lusofonia, com especial ênfase na literatura brasileira e angolana. Mesas-redondas sobre o futuro do livro na era digital convivem, sem contradição aparente, com apresentações de edições críticas e fac-símiles de obras do século XIX. A Feira sabe ser simultaneamente antiquária e contemporânea. Esse equilíbrio é, talvez, o seu maior prodígio.

Para quem a visita pela primeira vez, o conselho dos habitués é simples: deixem tempo. Não o tempo cronometrado de uma tarde, mas tempo generoso de quem não tem pressa de voltar. Chegue pela manhã, quando os corredores estão mais tranquilos e os livreiros têm vontade de conversar. Regresse à tarde quando, com o calor a esmorecer e a luz a dourar os jardins, a Feira ganha uma qualidade quase cinematográfica.

Mais de quatrocentos stands aguardam o visitante, representando centenas de selos editoriais. Das publicações académicas às bandas desenhadas, dos livros de arte às obras de bolso, há aqui uma representação do universo editorial português que nenhuma livraria, por maior que seja, consegue replicar. É, de certa forma, a biblioteca ideal que cada leitor imagina para si próprio e que, durante estes dias, existe mesmo.
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